23 de mai de 2017

Nostalgia

Era inicio da década de 90, enquanto o país vivia uma época não tão tranquila e favorável que ganhei um radinho de pilha. Ele era vermelho, dois alto-falantes, alça e um dial na horizontal. Meio que uma miniatura daqueles toca-fitas enormes da década anterior.
Por alguns bons anos esse radinho me acompanhou, ele foi testemunha do inicio do meu amor pelo Coringão e com ele gritei 'é campeão' pela primeira vez enquanto Osmar Santos narrava de forma inesquecível aquele gol do Tupãzinho.
Com ele vi, ou melhor, ouvi a ascensão de Racionais e seu Homem da Estrada, talvez tenha sido essa minha primeira aula de sociologia e dos questionamentos sobre a redenção de alguém que errou e todo estigma que carrega o povo da periferia... Duas décadas se passaram e os homens continuam na estrada tentando um recomeço, sem muito sucesso na maioria das vezes.
Isso está virando um textão, mas estou falando de uma época onde a pressa e a superficialidade não eram tão pungentes, aguenta mais um pouco aí vai.
Por fim, em algum momento que não me recordo, meio que sem querer ou perceber, me separei do meu grande amigo. Vieram outras prioridades, outras tecnologias e como acontece com muitas amizades, ela vai escorrendo entre os dedos, sem motivos e principalmente sem que se perceba.
E por mais que eu tente, não acredito que consiga o perdão do meu radinho com esse texto de sentimento puro, mas gramática bem duvidosa.

Gutowm

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