19 de jan de 2010

Ungido ou Palhaço

A unção atrai, mas quando você não a tem, se pinta de palhaço.
Apenas filosofarei, ou seja, pensarei por mim mesmo. Farei uma reflexão de meus conhecimentos disponíveis. Não apresentarei uma regra, muito menos uma resposta a qualquer que seja a pergunta.

Sempre me questiono quanto as estratégias de evangelização que usaremos para alcançar novas vidas para Cristo. Já participei de várias reuniões que tratam desse assunto e nelas também já sugeri algumas maneiras. Nada de tão diferente do que talvez você conheça ou já tenha feito - noites temáticas com a apresentação de bandas, peças teatrais, testemunhos de famosos recém convertidos, desfile de moda, jantares especiais, musicais com grupos de danças, cinema com pipoca, festa cowntry, uma tarde com churrasco, viagem para praticar esportes radicais, programas de auditório, compra de espaço em rádio ou televisão, etc. Enfim, são inúmeras as possibilidades válidas para atrairmos o maior número de pessoas que talvez jamais entrariam numa igreja local para assistirem ao culto formal.

Disse que me questiono porque fico imaginando Jesus reunindo seus discípulos antes de irem a uma cidade. Imagino Jesus falando a cada um de maneira específica: "Pedro e André, vocês cuidarão da divulgação. Temos que definir o tema da nossa festa e, o mais rápido possível, começar a distribuição de folhetos e cartazes. Tiago, você está incumbido da parte musical. Precisamos ver qual banda irá tocar. Veja também se precisaremos pagar um cachê; e caso precisemos, Judas nos dirá se temos dinheiro suficiente em caixa. Mulheres, vocês ficarão encarregadas de anotarem os nomes das pessoas. João e Filipe cuidarão da programação, mas cuidem para que eu entre com a pregação num momento propício. Mateus, você precisa ver com os políticos que conhece para nos cederem o melhor ginásio da cidade. Bartolomeu o ajudará nesta tarefa. Tomé, fique tranquilo, vai dar certo. Você, Tiago e Judas (o outro), devem pensar qual peça teatral se encaixa antes que eu comece a pregar, certo? Lucas, não esqueça da maletinha de primeiros socorros. Também tente falar com Nicodemos e pergunte se ele poderá ir para dar um testemunho antes que eu pregue."
Pois é. Esta é a cena que sempre imagino quando estou numa dessas reuniões para tratar de estratégias. Mas logo em seguida imagino uma cena totalmente diferente e conflitante a esta. Pois, para mim, estas estratégias nada mais são que uma maneira de atrair pessoas. Quanto mais atrativos nos tornarmos, melhor resultado teremos para alcançar tal objetivo - mostrar Jesus para as pessoas. Isso é aparentemente glorioso. Nos esforçamos para alcançar vidas perdidas. Mas acho que só fazemos isso (quero dizer: dessa maneira), porque a vida de Deus que deveria ser refletida, evidenciada através de cada um de nós, não está acontecendo. Infelizmente não servimos para atrair a ninguém. Logo precisamos de outra estratégia.

Nunca mais esqueci quando ouvi de um amigo que a unção, além de capacitar sobrenaturalmente, ela atrai. Isso mesmo: A unção atrai.
Também tenho certeza de que o papel do Espírito Santo é o de gerar em nós o caráter de Cristo, a vida dele e a notoriedade da vida de Deus. Jesus disse que repartiu conosco a natureza divina a fim de possamos ser um com ele para que o mundo tome conhecimento de que ele foi enviado por Deus e que também somos amados por ele. Preste a atenção de que Deus já nos deu a melhor estratégia de proclamação para as boas novas de Cristo - UNIDADE EM SUA NATUREZA DIVINA. Isso dá muito pano pra manga, mas deixe-me continuar com a reflexão inicial.
Por isso é que imagino uma coisa totalmente diferente.

C. S. Lewis escreveu que é impossível que Deus se revele ao homem cuja a mente e cujo o caráter estejam em más condições. Da mesma forma os raios do sol não se refletem tão bem num espelho empoeirado quanto num espelho polido. Eu quero dizer que também é impossível que Deus se revele através do homem cuja a mente e cujo o caráter estejam em más condições. Pois se nós estivéssemos realmente refletindo a imagem de Cristo, pouco seria necessário. Não haveria tanta necessidade para criamos estratégias de evangelismo. Pois logo que as pessoas vissem em nós a vida de Deus seriam atraídas, não pelo belo teatro ou a pintura de palhaço em nossos rostos. Estaríamos passeando pelo shopping e logo algumas pessoas viriam até nós, chorando talvez, sem saber porque, mas atraídas pela glória de Deus refletida em nós. Sem nenhuma estratégia iríamos até um parque público e, em pouco tempo, estaríamos orando pela cura de pessoas de um modo geral. Fariam filas. E por que não dizer, multidões se aglomerariam para ouvir sobre a vida de Deus (nada a ver com o atual marketing religioso de teologia da prosperidade em que o evangelho está centrado no homem e não em Deus como o que temos visto por ai. Então esquece se você pensou isso). Em nosso trabalho seríamos vistos como esperança aos perdidos e as máscaras cairiam. Nossas famílias se tornariam sonhos de consumo para uma nova geração. Nas faculdades, os jovens sentariam para nos ouvirem ao invés de encherem a cara e fumarem maconha - um reflexo do desespero pela vida que poderia ser sanada pela imagem de Cristo refletida em nós.

Imagino que Jesus atrairia, como já atraiu a dois milênios, sem nenhuma necessidade de estratégia evangelística parecida com as que temos feito. A palavra Cristo quer dizer ungido - capacitado sobrenaturalmente para um fim específico. Da mesma maneira, quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, ungindo-os/capacitando-os, sem nenhuma estratégia parecida com as nossas, eles iam anunciando o Reino de Deus nas mesmas condições que o mestre, em demonstração de vida e poder, não entretenimento. Gostaria que estivéssemos assim.
Imagino que até aqui já tenha suscitado discordância da parte de algumas pessoas. Então por este motivo me vejo na obrigação de explicar mais um pouco sobre o assunto, ainda que seja uma reflexão pessoal.
Não penso que o fato de que uma pessoa ou um grupo fazer teatro para atrair outros para Cristo, sejam elas menos capacitadas por Deus. Se pensasse assim estaria dizendo que talentos são desnecessários ou nada tem a ver com a vontade de Deus. Se pensasse assim, estaria dizendo que nenhuma vida ou esforço valeria a pena. Não penso assim.

Concordo que uma pessoa ungida por Deus é capacitada para realizar qualquer que seja o trabalho com qualquer que sejam as ferramentas para alcançar um fim específico a fim de que a vida de Deus seja revelada em e através de si mesmo. Na contra-mão disso está uma pessoa cheia de qualidades próprias, capaz de produzir algum efeito, mas que nada tem de Deus, senão apenas uma capacitação humana. O exemplo disso é alguém que, com uma grande capacidade para falar em público, fale de Deus sem o mínimo de uma vida de relacionamento com ele, senão apenas pelo conhecimento literário. Ainda que eu creia mais na ação de Deus pela misericórdia e graça do que pela aprovação de conduta do indivíduo que fala nessas condições, para mim esta pessoa será apenas mais um que "se pinta de palhaço" para atrair o público. Já me vi nessas condições e por isso tenho certa liberdade para escrever sobre isso. Ainda assim concordo que o mais importante é que Cristo seja anunciado, ainda que por um teatro ou qualquer que seja a estratégia pela falta da unidade e unção que deveríamos ter. Como disse Paulo, quer seja por pretexto ou por verdade, nisso também me alegro.

Alguém poderá ter alguns talentos, poderá saber fazer coisas que chamem a atenção, porém sem a unção que vem pelo Espírito Santo, sua eficiência estará prejudicada. Você poderá ser criativo e talentoso, mas se sua mente e caráter estiverem em más condições, a unção estará comprometida. Logo a única coisa que lhe resta para atrair as pessoas serão suas estratégias de entretenimento.
Acredito que agora já desfiz algumas contradições, por isso poderei voltar ao que estava dizendo para finalizar minha reflexão.

Melhor seria que tivéssemos menos estratégias para evangelização em massa e mais da vida de Deus refletida em nós. Tenho certeza que atrairíamos a muitos sem muito esforço. A evangelização seria um consequência diária do nosso estilo de vida, não um evento gospel periódico e isolado. Os que estão próximos - nas faculdades, trabalho, vizinhos, etc. - seriam atraídos sem que precisássemos pescá-los com uma isca colorida. Não teríamos que disputar a atenção do público distorcendo o evangelho para que ele tenha uma aparência de coisa mundana, mas atrairíamos o público pela vida que nunca viram em nenhum outro lugar. A unção seria suficiente e o evento, bem secundário.
Tenho certeza que a vida de Deus em nós é suficiente.
Valeu galera,

Autor: Paulo David Muzel Jr - Tropical
Fonte: http://www.renovatiocafe.com/

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